Medidas de Optimização da Procura de Água (Desmaterialização)

A água é um recurso extremamente escasso e precioso que deve ser gerido de forma eficiente e justa para com as gerações actuais e as gerações vindouras.

A água própria para consumo humano existe em quantidade ínfima no nosso planeta. Trata-se de um recurso extremamente precioso que deve ser gerido de forma eficiente e justa para com as gerações actuais e as gerações vindouras.

Hoje, 1.200 milhões de pessoas não têm acesso a água em condições para consumo humano, e a Organização das Nações Unidas estima que, em 2025, 1.800 milhões de pessoas habitarão em regiões sem acesso a água em condições para consumo humano e dois terços da população mundial poderão sofrer condições de stress ou falta de água.

Os edifícios podem ser concebidos e construídos de forma a optimizar consideravelmente a procura de água potável, durante a fase de operação. Por um lado canalizando a água potável apenas para os usos que precisam de todas as suas qualidades e, por outro lado, reduzindo a quantidade necessária para o uso que lhe é dado.

Não existe qualquer dúvida de que a utilização racional da água é um tema que, só por si, merece um livro inteiro. No contexto da construção sustentável, serão abordadas duas perspectivas distintas para optimizar o consumo de água. A primeira descreve os cuidados a ter no processo de concepção, de construção e de operação de um edifício para que a procura de água potável seja optimizada, sem reduzir o grau de conforto e de salubridade que o seu uso proporciona. A segunda descreve como se torna hoje possível e desejável produzir e fornecer “água secundária” para satisfazer os usos que não carecem de água potável. Assim, a água que utilizamos quotidianamente é abordada tanto na óptica da procura como na óptica da oferta, focando, sobretudo, as medidas que podem contribuir para melhorar o “serviço água” prestado.

No nosso planeta, a água com a qualidade necessária para se tornar potável existe numa quantidade ínfima e, mesmo que algumas regiões possuam reservas maiores, a realidade é que, todas elas, são finitas e nos cabe partilhar estas reservas do planeta com um número crescente de co-habitantes. Ainda hoje, um terço da população do planeta não tem acesso a água potável nem canalizada.

Para que o serviço “água potável”, que consideramos básico para a nossa sobrevivência e para que o desenrolar das nossas actividades quotidianas possa continuar a ser prestado com qualidade e de forma estável, a sua gestão terá que assentar nos princípios da sustentabilidade.

Em primeiro lugar e da mesma forma em que a eficiência é o primeiro passo na optimização da utilização de energia, a procura de água potável terá que ser optimizada para que toda a água de que não necessitamos permaneça ao dispor das gerações vindouras.

Se a prestação do serviço “água potável” pertence às obrigações da respectiva concessionária, fazendo chegar água às nossas torneiras com a qualidade necessária, na quantidade desejada e com a pressão adequada, então os utilizadores têm a obrigação de consumirem esta água apenas para aqueles fins que carecem da qualidade “potável” e apenas na quantidade absolutamente necessária.

O consumo de água em Lisboa, por exemplo, é muito superior à média do país e à média da Europa (dados da Matriz da Água de Lisboa). As medidas, que se apresentam em seguida, pretendem a redução do consumo de água, sem reduzir o conforto, nem o grau de higiene associados ao seu uso. Na óptica da gestão da procura, existem medidas que, ao serem implementadas em fase de projecto e de construção ou reabilitação, podem contribuir para reduzir até metade a procura de água potável nas nossas habitações:

  • Devem ser utilizadas torneiras misturadoras monocomando nos lava-loiças, lavatório e bidé;
  • Todas as torneiras utilizadas na função de água corrente devem ser munidas de dispositivos de redução do fluxo de água (torneiras dos lava-loiças, lavatório e do bidé);
  • O chuveiro do duche deve consumir menos do que 9 litros de água por minuto;
  • As sanitas devem ser equipadas com descarga selectiva (pelo menos 2 botões); a descarga mais reduzida deve debitar menos de 6 litros de água;
  • Os electrodomésticos devem ter o certificado classe A com respeito ao consumo de água.

Todos os dispositivos e equipamentos, anteriormente referidos, existem no mercado e estarão listados na página na Internet www.construcaosustentavel.pt.

Torna-se particularmente importante a utilização de chuveiros eficientes, porque, de acordo com um estudo sobre a desagregação do consumo doméstico de água potável em Lisboa, desenvolvido pela EPAL, é no duche que se consome quase 50% da água potável. Também as descargas selectivas nas sanitas são relevantes, porque, de acordo com o mesmo estudo, estas são responsáveis por 22% do consumo de água potável. Para além destas medidas, é certo que os nossos comportamentos podem conduzir a uma redução ainda maior do consumo de água potável.

Por exemplo, quando lavamos os dentes, com torneiras de monocomando, será fácil fechar a água enquanto os escovamos, reabrindo-a facilmente quando passamos por água a escova. Quando preparamos um chá, ao aquecermos a quantidade certa de água, reduzimos o consumo de água, bem como o consumo de energia.

Nenhum destes comportamentos altera a qualidade do nosso prazer de contacto com a água.

É muito importante e economicamente viável substituir todos os dispositivos existentes por dispositivos que reduzam o consumo de água, sem reduzirem as condições de conforto na sua utilização. Também os equipamentos domésticos que utilizam água devem ser Classe A.