Ventilação Natural

A ventilação natural contribui para a optimização do conforto ambiental e da qualidade do ar interior das habitações.

No contexto climático português, a ventilação natural é extremamente importante para garantir a optimização do conforto no interior dos edifícios; utiliza-se um recurso renovável, a temperatura no exterior, e a renovação do ar a uma taxa adequada, fundamental para manter no edifício o ar interior com boa qualidade.

Durante a época mais quente do ano, uma das formas mais eficientes para arrefecer a temperatura no interior das nossas casas é a de ventilar, especialmente durante a noite, quando as temperaturas são mais frescas. Durante uma grande parte dessa época do ano, o ar no exterior apresenta valores de temperatura bastante confortáveis, apesar da grande amplitude térmica diária.

A ventilação dos espaços acontece, por consequência, de dois processos espontâneos, nos quais o movimento do ar resulta do seu impulso natural para manter o equilíbrio entre temperatura e pressão: Este efeito é tanto mais eficiente, quanto maior for a diferença das temperaturas. Para um arrefecimento passivo eficiente deve, portanto, aproveitar-se as amplitudes térmicas diárias, por exemplo, durante a noite e durante o início da manhã, privilegiando os períodos mais frescos do dia e da noite. No nosso clima, a ventilação natural conjugada com uma adequada inércia térmica, permite que, nos espaços interiores, sejam minimizados os ganhos excessivos e os extremos de calor. A inércia térmica garante a estabilidade térmica interior ao longo de todo o ano. A ventilação natural permite a redução imediata de extremos de temperatura em situações onde a inércia térmica não é, por si só, suficiente para “varrer” os espaços com o ar que vem de fora, preferivelmente de uma zona que está à sombra, ou durante a noite. O comportamento do ar e da ventilação é, por vezes, difícil de controlar por parte dos utilizadores, podendo ocorrer situações de movimentação de ar menos confortáveis. No entanto, há algumas regras que são de fácil entendimento e aplicação:

  • O ar mais quente é mais leve do que o ar mais frio – as actividades humanas e os aparelhos domésticos produzem calor, sendo normal o efeito ascendente do ar mais quente, dentro de casa;
  • O ar usado e que transporta as toxinas está, normalmente, mais quente e sobe;
  • Pelo impulso natural de se equilibrar e de se estabilizar, o ar movimenta-se sempre do local onde é mais pesado (mais fresco) para o local onde é mais leve (mais quente);
  • Quando o ar que foi aquecido pelas actividades humanas no interior de uma habitação atinge uma superfície mais fria (como acontece no Inverno no caso de áreas envidraçadas), ele arrefece e, tornando-se mais pesado, cria uma corrente e ar descendente junto dessa superfície (efeito de transmissão de calor por convecção);
  • Sempre que o ar se encontra numa zona à sombra, arrefece, porque os materiais que estão em seu redor irradiam menos calor;
  • Sempre que o ar está em contacto com água em movimento tende a baixar a sua temperatura. O efeito evaporativo da passagem do estado líquido para o estado gasoso aumenta a quantidade de vapor de água presente na atmosfera envolvente, retirando energia do ar e, por consequência, baixando a sua temperatura;
  • Em espaços que têm um pé-direito baixo, o ar estratifica-se consoante a sua temperatura, podendo manter zonas de ar usado estagnado;
  • Em espaços mais altos, idealmente com duplo pé-direito, o ar cria circuitos de convecção natural e dilui as toxinas que transporta através do movimento com que atravessa os espaços abertos;
  • A pressão do vento sobre a fachada exposta e (negativa) sobre a fachada oposta gera uma ventilação natural dos espaços, atravessando frinchas, janelas e portas.

Características a ter em consideração na especificação das ferragens que comandam os movimentos de envidraçados e seus acessórios relevantes:

  • Quando a habitação dispõe de fachadas com orientações solares opostas ou apenas diferentes, é muito importante dotar as janelas, em cada uma das orientações solares, com um sistema de abertura que permita ventilar com segurança, mesmo quando as pessoas não se encontram em casa – uma abertura em função basculante não permite a intrusão;
  • Idealmente, em cada espaço da casa deve existir, pelo menos, uma janela oscilo-batente porque permite uma ventilação mais eficaz;
  • Os puxadores das janelas devem ser equipados com uma fechadura;
  • Idealmente, em cada espaço da casa deve existir uma grelha de ventilação integrada num dos vãos envidraçados, para garantir as renovações de ar necessárias;
  • Em zonas em que existam insectos, deverão integrar-se redes mosquiteiras nos vãos.

Se todas as características apresentadas forem tidas em consideração, é possível garantir um clima interior saudável e confortável durante todo o ano.