Conforto Visual

O conforto visual nas nossas casas é uma condição importante a atingir e, com a crescente qualidade da envolvente dos nossos edifícios, podemos hoje usufruir de uma abundante iluminação natural em casa, sem problemas de sobre aquecimento.

LUZ NATURAL À MEDIDA

O conforto visual nas nossas casas é uma condição importante a alcançar para promover o nosso bem-estar, a saúde e, também, para aumentar a nossa produtividade. O desconforto visual é um forte motivador para actuarmos no sentido de alterar as condições em que nos encontramos, quando estas não são adequadas ao que nos faz falta.

Em parte, o conforto visual é determinado pelo panorama da nossa casa para o exterior, vista esta que tem extrema relevância para o nosso bem-estar e é o tema de uma das medidas desenvolvidas no sub-capítulo dedicado ao conforto ambiental.

O conforto visual é também determinado pela iluminação natural que captamos com os nossos olhos, receptores extremamente sensíveis e complexos que precisam de conforto para funcionarem de forma eficiente. Apesar de nem toda a radiação solar ser benéfica para o ser humano, a luz natural emitida pelo sol, com o seu largo espectro de tipos de radiação (nem todos visíveis pelo olho humano), é a que melhor assimilamos e que menos cansaço nos causa quando trabalhamos.

As áreas envidraçadas, cujos vidros respeitem as especificações técnicas adequadas, no sentido de contribuírem para a optimização do desempenho energético-ambiental do edifício (ver a medida “Proporção adequada das áreas envidraçadas, tendo em consideração a orientação solar”), permitem uma penetração de radiação solar benéfica para os utilizadores. Numa habitação, o conforto visual carece de um sistema de controlo operável pelos utilizadores, uma vez que o dimensionamento das áreas envidraçadas contempla a iluminação natural necessária em dias encobertos, quando a radiação disponível à superfície da terra é muito inferior àquela que existe em dias de céu limpo e, nestes, a radiação solar que atravessa as mesmas áreas envidraçadas poderá ser muito superior à pretendida. Assim, é importante poder orientar as lâminas do estore exterior de forma a olhar a paisagem sem fazer entrar a radiação solar indesejada.

Mas, para além da intensidade da luminosidade como factor que varia e que ocorre controlar, o ângulo em que os raios solares batem na terra também varia e condiciona o nosso conforto visual. Em Portugal, varia entre os ângulos médios de 28º no dia 21 de Dezembro e de 75º no dia 21 de Junho, resultantes da inclinação do eixo da terra em relação ao plano orbital e da sua localização geográfica.

Também esta variação precisa de ser controlada pelos utilizadores, dando-lhes liberdade para decidirem o que pretendem: por vezes moderar, por vezes eliminar e, por vezes, potenciar os extremos da iluminação natural. Num dia frio de Inverno é imaginável que, se o sol brilha durante alguns momentos de céu limpo, queiramos inundar a casa de luz, mas num dia quente de Verão é provável que queiramos sombra e frescura no interior do espaço em que nos encontramos.

Quando falamos de sistemas de controlo – sendo os sombreamentos exteriores uma das medidas desenvolvida neste livro (ver Sombreamentos Exteriores) – somos desafiados a, por um lado, determinar a quantidade de luz natural que entra em nossa casa e nos permite desempenhar as diversas actividades e funções, por outro lado, encontramo-nos perante o desafio de determinar a quantidade e qualidade da luz natural que deixamos entrar e que vai determinar a atmosfera do espaço que ocupamos. Os sistemas de sombreamento exterior que existem no mercado são extremamente diversificados e algumas das suas características são determinantes para o conforto visual.{mospagebreak}

Numa tipologia com fachadas principais orientadas a Sul e a Norte, mas em que a vista para Sul não é a mais nobre, a sala de estar pode ficar orientada a Norte e os quartos de dormir a Sul, desde que o desenho da tipologia permita manter o contacto visual directo da sala para o alçado Sul, onde os raios solares invadem a casa, especialmente durante os meses de Inverno. Esta permeabilidade à iluminação solar é possível através da criação de uma abertura ampla que atravessa e permite a presença da iluminação solar no apartamento na sua totalidade, podendo ainda ser reforçada por cores claras de materiais no revestimento das superfícies deste espaço que atravessa o apartamento e o tornam mais reflector.

VISTAS PARA O EXTERIOR

É muito importante para o nosso bem-estar psíquico mantermos, de forma regular, o contacto visual com os elementos naturais, porque reforçam a nossa sensação de serenidade e de confiança quando restabelecemos a relação com a Natureza. Assim, uma superfície ampla com água, que possamos ver da janela da sala ou do quarto, é um aspecto positivo a considerar na concepção de espaços habitacionais e de serviços e que acrescenta valor de mercado.

Uma superfície ampla com vegetação e, preferivelmente, árvores de grande porte, que possamos ver da janela da sala ou do quarto, são aspectos positivos a considerar na concepção de espaços habitacionais e de serviços e que acrescentam valor de mercado.

Numa cidade compacta são muito procuradas as habitações que têm vista para o Horizonte – sinónimo do Infinito – não apenas porque existem em menor número – situando-se no perímetro exterior da área urbanizada ou em edifícios com grande altura – mas também porque o Horizonte é, por si só, uma dimensão que dá escala a todas as experiências em espaços urbanos. Os significados que damos ao Horizonte são inúmeros e o grau como este acrescenta valor, a qualquer propriedade da qual se avista, é inquestionável.

Duas fotografias idênticas, tiradas sobre o mesmo espaço orientado a Nascente na Torre Verde no Verão, demonstram o impacte da radiação solar directa e difusa na iluminação de um espaço e a importância dos sombreamentos no controlo da mesma.

O Sistema de sombreamento exterior está na posição descida, e as lâminas estão orientadas de forma a prevenir a entrada directa da luz, sem, com isto, restringir o campo visual para o exterior. A iluminação natural, por efeito de difusão nos sombreamentos espalha-se de modo mais equilibrado por todo o espaço, diminuindo os contrastes e aumentando a qualidade visual em todo o espaço.

O sistema de sombreamento exterior está na posição recolhida, permitindo a radiação solar directa e o consequente aumento do contraste entre áreas inundadas com iluminação natural e áreas interiores menos iluminadas, criando, com o elevado contraste de luminosidade, uma menor qualidade visual.